Seja bom de papo

Antes de dar as dicas de como se tornar um conversador irresistível, quero esclarecer que ser bom de papo não significa abrir a matraca e soltar a verborragia em cima das vítimas que estão ao seu lado. Meu avô já dizia que quem fala muito acaba dando bom dia a cavalo e se transformando num chato espalha-roda. É só o tagarela aparecer que a turma levanta acampamento e tira o time de campo.

Vale a pena aprender a conversar de maneira agradável, simpática e atraente. Se você souber manter um bom papo, será bem recebido e admirado em todos os lugares. As pessoas terão prazer com a sua presença e muito interesse em ouvir suas histórias e pedir suas opiniões.

Antônio 
Alberto Ravagnani
Estação de trem de Bueno de Andrada, onde moradores conversavam e contavam casos

Conheço muita gente
que sabe conversar. São pessoas tão agradáveis que você fica horas batendo papo e nem vê a hora passar. São tão comunicativas que o semblante da turma se abre de alegria assim que elas se aproximam do grupo.

Uma dessas pessoas construiu sua história de vida bem-sucedida apoiada na forma habilidosa como conversa, interage e se relaciona com todos que cruzam seu caminho. É uma história que serve de exemplo e mostra como a arte de conversar pode ser desenvolvida e aprimorada.

Renato Saes é um dos maiores fabricantes de transformadores do país e, por isso, pode dar a impressão de que foram apenas as revolucionárias técnicas da gestão empresarial e as tecnologias de ponta que serviram de escada para sua trajetória de vida vitoriosa.

É lógico que sem competência empresarial ele não chegaria aonde chegou. Entretanto, o motivo do seu sucesso está, literalmente, em outros campos.
Renato Saes é meu conterrâneo, nasceu em Araraquara, bem no centro do interior do Estado de São Paulo. Seu pai era ferroviário e, por isso, teve de viver em diversas pequenas cidades até encontrar um lugar ideal para criar os quatro filhos, Bueno de Andrada.

Bueno, como é chamada carinhosamente por seus moradores, não é uma localidade fácil de ser encontrada em qualquer mapa. Fica entre Araraquara e Matão. Até bem pouco atrás só se chegava lá por estrada de terra batida. Na época em que Renato viveu ali, somando a população urbana com o povo que vivia nos sítios e fazendas ao seu redor, mais o padre que se deslocava para lá todos os domingos para rezar a missa não chegava a mil habitantes.

Esse lugarejo não possuía muitas alternativas de lazer. Como a televisão ainda não havia chegado por aquelas bandas, o único divertimento noturno da população era ver a parada do trem das sete, o último trem de passageiros do dia.

Assim que o trem partia, todos, em silêncio, ficavam olhando até o comboio fazer a curva e dar o apito, que funcionava como espécie de despedida. Algumas pessoas, especialmente as mais idosas, permaneciam na estação, sentadas no banco para contar "causos" e ouvir histórias. Algumas dessas histórias eram verdadeiras, outras nem tanto, ficavam por conta da criatividade daqueles simpáticos senhores.

Foi nesse ambiente de contadores de histórias que Renato Saes passou sua infância, e aprendeu, ali com as pessoas mais velhas, a arte de prosear. Essa habilidade desenvolvida e cultivada de forma tão espontânea fez com que ele saísse daquele local, que era um verdadeiro paraíso para um menino brincar com liberdade, mas, usando a imagem da estrada de ferro, quase um de fim de linha para as pessoas adultas.

Um belo dia, já mocinho, Renato Saes pegou uma pequena mala com poucas roupas, enrolou seu diploma de professor primário e resolveu partir. Tomou o trem que parava na porta da sua casa e contando apenas com sua boa conversa interiorana rumou para São Paulo. Foi, viu e venceu na desafiadora cidade grande. E se existe alguém que ganhou a vida na conversa foi ele.

Renato Saes se transformou num verdadeiro mestre na arte de conversar.

Ele não deixa ninguém sem participar de uma conversa. Mesmo as pessoas mais tímidas, que geralmente diante de um grupo se retraem, com o Renato por perto não ficam de boca fechada. Ele pergunta da saúde da mãe de um, pede para o outro contar como o filho venceu o processo tão difícil de seleção para conquistar o emprego. E assim todos falam sem constrangimento.

Para ter sucesso nos negócios, em suas conversas Renato Saes usa as perguntas como arma mais poderosa. Ele sabe que se fizer as perguntas certas, terá todas as informações de que precisa. O tipo de pergunta depende das circunstâncias e dos objetivos que ele pretende atingir.

Se a sua intenção for a de iniciar uma conversa ou aparar o terreno para chegar a um acordo, usa perguntas fechadas, que levam o interlocutor a dar respostas rápidas e curtas. As mais indicadas são: "Quem?", "Há quanto tempo?", "Onde?", "Quando?".

Com as perguntas fechadas, ele consegue respostas objetivas, que lhe dão oportunidade de obter em pouco tempo informações importantes, sem prejudicar o andamento da conversa, ou comprometer a concentração.

Se, entretanto, pretender estimular as pessoas a se envolverem mais na conversa, ou identificar as intenções, desejos ou necessidades que elas realmente possuem, lança mão de perguntas abertas, que produzem repostas mais longas e exigem informações mais bem elaboradas. As mais indicadas são: "O quê?", "Por quê?", "Como?", "De que maneira?".

Com as perguntas abertas, ele consegue fazer com que as pessoas falem mais, se obriguem a elaborar raciocínios amplos e forneçam informações que mostram um pouco mais da personalidade e da forma de pensar delas.

Sua tática para não criar resistências desnecessárias é a de não discordar das pessoas antes de fazer perguntas e não as deixar constrangidas com questões coercitivas, complexas ou difíceis de serem respondidas.

Em uma situação de confronto, não imagino Renato Saes dizendo, por exemplo: você acha que sou ingênuo de concordar com suas imposições?

Com certeza, seu comentário seria diferente, mais diplomático, como por exemplo: vamos ver se consigo compreender bem os motivos da sua proposta.

Renato Saes não deixa uma conversa morrer. Sempre tem um jeito de motivar o bate-papo. Desenvolveu essa qualidade ainda lá em Bueno de Andrada, pois à noite, no banco da estação, se não tivesse conversa, acabava a diversão.

Por isso, para fazer uma conversa mudar de rumo, esticar um assunto ou levantar maiores detalhes dos temas discutidos usa como recurso algumas expressões como: "e aí?"; "estou entendendo"; "e o que você fez?"; "e então?"; "como assim?"; "por exemplo?"; "e você teve receio?"; "o que você teria feito se a resposta fosse negativa?"; "vamos imaginar que tudo tivesse falhado".

Com essas observações e questionamentos, ele demonstra interesse pelo assunto, estimula e realimenta a conversa. Dessa forma, possibilita, de maneira simpática e educada, que as pessoas se comuniquem com naturalidade e, no caso de estar negociando, que o tema vá ao encontro de seus objetivos.

Outra qualidade da comunicação de Renato Saes é a maneira eficiente como se vale da expressão corporal, especialmente da fisionomia.

Em certos momentos, ele faz pequenos movimentos com a cabeça para afirmar ou negar, em outros faz cara de espanto, depois inclina o corpo como se quisesse prestar mais atenção, mais à frente apóia o queixo na mão.

Quem é que não sente prazer em conversar com uma pessoa que dá tanta atenção e se mostra tão interessada?

Esse é o segredo do Renato Saes. Com essa habilidade de conversar, principalmente de saber ouvir com atenção o que as pessoas têm a dizer, sem esforços, ele vai cada vez mais ampliando seu relacionamento, realizando negócios e prosperando.

Você percebeu que todas as técnicas utilizadas por esse simpático conversador estão à sua disposição. Aprenda a contar histórias, saiba ouvir e dê atenção às pessoas. Com esses cuidados você desenvolverá uma conversa irresistível.

Cultive essas qualidades tão antigas quanto a própria história da humanidade e realize você também seus maiores sonhos de conquista.

Comece a treinar hoje mesmo com os amigos, familiares e colegas de trabalho.

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